terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Talak - o divorcio

Na semana passada tive o previlégio de conhecer uma pessoa oriunda da India, fascinada como sou por culturas diferente, por pensares que colidem ou se encontram com os meus não deixei passar a oportunidade de saber um pouco mais sobre a cultura, religião e costumes dessa pessoa que embora vivendo em portugal à já varios anos tem ainda no sotaque um quê de engraçado sobre a sua terra natal.
Esta pessoa é do sexo masculino, ronda os 40 anos tem uma meiguice na voz já dificil de encontrar nos dias de hoje em que a pressa dos dias nos faz caminhar de olhos literalmente postos no chão que pisamos sem dar valor ou importância ao que se passa à nossa volta. A conversa começou banal e sem bem saber porquê acabou no tema da religião, eu não sou adepta nem praticante de nenhuma mas sempre me interessou saber pormenores das muitas ( cada vez mais) que existem por ai. É muçulmano disse-me e enquanto falavamos mais uam vez de banalidades sobre a sua religião chegamos a uma parte em que me apercebo que existem palavras " perigosas" em alguns usos e costumes.
Disse-me então ele: " talak é uma palavra perigosa na minha religião."
Porquê perguntei eu, respondeu " se um homem se quiser divorciar de uma mulher basta chegar ao pé dela e dizer 3 vezes a palavra talak" Espantei-me e disse só isso? E logo de seguida exclamei - olha que maravilha! pelo menos não se entopem os tribunais com processos de divorcio! Ele riu divertido com a minha exclamação e espontaneiedade.
Depois pensei, porque será a palavra perigosa e fiz-lhe essa mesma pergunta.
Ele responde: - " de facto é facil ficar divorciado, mas se por um mero acaso eu vier a aperceber-me que foi um erro e quiser voltar a ficar junto com a mesma mulher tenho uma penalização antes de poder ficar com ela"
- Penalização? Que penalização - perguntei eu do alto da minha ignorância
Respondeu - " " Antes de poder ficar com ela novamente ela terá de casar com outra pessoa e ficar com essa pessoa pelo menos duas a três noites e só depois poderemos ficar juntos novamente"
Fiquei estupefacta confesso, que penalização, diria que é mesmo mais castigo, mas logo de seguida pensei nos tempos que correm era uma mais valia se isso fosse instituido em todas as civilizações do mundo, conseguem imaginar a quantidade de esforço que se passaria a fazer para qeu as coisas resultassem?
Conseguem perceber que se começaria a dar muito mais valor ao que se tem sem se jogar fora por dá cá aquela palha?
Não sou adepta dos castigos e das penalizações mas começo a achar que em alguns assuntos deveriamos não ter a possibilidade de acabar e recomeçar sem antes ter de " sofrer " as consequÊncias dessas atitudes.
Depois desta conversa fiz uma pequena investigação na net e percebi que a India é um dos paises onde a taxa de divorcio é diminuta e não é dificil perceber porquÊ!
A reter meus amigos, a reter!

2 comentários:

Cristina M. disse...

Olá Sandra,

Já nos conhecemos, deu-me uma consulta de florais de Bach que tenho tomado como me mandou. Depois lá para meio do próximo mês volto a marcar outra.

Fiquei a pensar:
Será que a mulher também pode pedir o divórcio bastando para isso dizer três vezes a palavra talak?
Se uma mulher for feliz com o seu marido, e ele por "lapso" se divorciar e logo de seguida se arrepender, para voltarem a ficar juntos, a desgraçada terá de se casar com um marmanjo (ou desgraçado também, caso se apaixone por ela) terá de dormir com esse marmanjo pelo menos 3 vezes para poder voltar para os braços do primeiro marido de quem gosta e sempre gostou. E isso é uma penalização para quem?!

Pelo pouco que falei consigo e pelo que li aqui é uma mulher com muita piada e com um sentido grande de justiça. Ora, por mais voltas que dê a esta história não lhe encontro qualquer justiça.
Concordo consigo, hoje em dia é raro darmos valor ao que temos (falo por mim, mas ando a fazer um esforço!)mas o facto de não sabermos viver a vida que temos, só por si, já é "castigo" mesmo que não o saibamos. Fazermos asneiras e sofrermos as consequências é o preço a pagar por sermos livres nos nossos actos e vontades.
O assunto dava pano para mangas...

Beijinhos

Sandra Ramos disse...

OLá Cristina!
Sabe a questão do divorcio aqui é só uma das situações, referia-me ao facto de todo nos nossos dias estar " demasiado" liberalizado, é facil sair e entrar das situações. Se quando decidimos deixar algo que andamos a construir a algum tempo porque simplesmente nos aptece experimentar coisas novas sem pensar em amis nada , talvez devessemos não poder ter de novo o que tnhamos sem algum esforço, é obvio que aquele tipo de penalização é para os dois lados e não deve de todo ser uma situação facil , se calhar pr isso nada deve ser feito em cima do joelho, tudo deve ser pensado, , vou investigar um pouco mais e ver como acontece no caso da mulher, pelo que me tinha apercebido tanto é para o homem e para a mulher mas vou arranjar certezas.
Beijinhos